Qual É O Conflito Vivido Pela Narradora Em Olhos D'água?

Reza November 23, 2021
AFETOS LITERÁRIOS LIVRO DE CONTO OLHOS D'AGUA

Introdução

Olhos d’Água é um livro de contos escrito por Conceição Evaristo e publicado em 2014. A obra retrata a vida de mulheres negras em favelas e periferias do Brasil, explorando temas como racismo, violência, pobreza e discriminação de gênero. A narrativa é marcada pela sensibilidade e delicadeza com que a autora aborda esses temas, revelando a humanidade e a complexidade das personagens. Neste artigo, vamos discutir o conflito vivido pela narradora em Olhos d’Água.

A narradora

Antes de entrarmos no conflito em si, é importante entendermos quem é a narradora em Olhos d’Água. Embora a obra seja composta por contos, há uma voz que se sobressai, uma voz que costura as histórias e dá unidade ao livro. Essa voz é a de uma mulher negra, que podemos chamar de narradora-personagem, já que ela também participa das histórias contadas. Essa mulher é uma espécie de alter ego da autora, Conceição Evaristo, e sua presença confere à obra um tom confessional e intimista. A narradora em Olhos d’Água é uma mulher que cresceu em uma favela, vivenciando a violência, a pobreza e o racismo desde cedo. Ela é mãe solteira e trabalha como empregada doméstica, lutando para criar seus filhos e garantir sua sobrevivência. Apesar de todas as dificuldades, ela é uma mulher forte e resiliente, que não se deixa abater pelos obstáculos da vida.

O conflito

O conflito vivido pela narradora em Olhos d’Água é multifacetado e complexo. Podemos identificar três aspectos principais desse conflito:

1. O conflito com a sociedade

O primeiro aspecto do conflito vivido pela narradora em Olhos d’Água é o conflito com a sociedade em que ela vive. Como mulher negra e pobre, a narradora é alvo de diversas formas de discriminação e violência. Ela é constantemente desvalorizada e invisibilizada, sendo tratada como uma mera peça do sistema de exploração que a mantém na pobreza e na marginalidade. A narradora é vítima de racismo, machismo e classismo, que se combinam para tornar sua vida ainda mais difícil. Esse conflito com a sociedade é evidenciado em diversos momentos do livro. Em “A bolsa amarela”, por exemplo, a narradora relata a humilhação que sofre ao entrar em uma loja de grife e ser tratada com desprezo pelos funcionários, que a julgam pela sua aparência e pelo fato de ser negra e pobre. Em “Barracão de zinco”, a narradora descreve a favela como um lugar de opressão e violência, onde as mulheres são constantemente abusadas pelos homens e onde a vida não vale muito.

2. O conflito com ela mesma

O segundo aspecto do conflito vivido pela narradora em Olhos d’Água é o conflito com ela mesma. Como mulher negra e pobre, a narradora internaliza os estereótipos e preconceitos que a cercam, sentindo-se muitas vezes inferior e inadequada. Ela luta contra a autoimagem negativa que foi construída ao longo de sua vida, tentando encontrar sua voz e sua identidade em uma sociedade que a silencia e a invisibiliza. Esse conflito com ela mesma é evidenciado em diversos momentos do livro. Em “Na cozinha”, por exemplo, a narradora relata a sensação de opressão que sente ao trabalhar como empregada doméstica na casa de uma família branca e rica. Ela se sente humilhada e desvalorizada, mas ao mesmo tempo sabe que precisa do emprego para sobreviver. Em “Maria”, a narradora descreve a dor que sente ao ver sua filha sofrer o mesmo racismo e discriminação que ela sofreu ao longo de sua vida.

3. O conflito com o passado

O terceiro aspecto do conflito vivido pela narradora em Olhos d’Água é o conflito com o passado. Como mulher negra e pobre, a narradora carrega consigo as marcas da história de opressão e violência que seu povo sofreu ao longo dos séculos. Ela luta contra o legado da escravidão e do racismo, tentando construir uma vida melhor para si e para seus filhos em um contexto de desigualdade e injustiça social. Esse conflito com o passado é evidenciado em diversos momentos do livro. Em “Insubmissas lágrimas de mulheres”, por exemplo, a narradora relata a luta de sua mãe e de outras mulheres negras contra a violência doméstica e o machismo. Ela reconhece o legado de resistência e luta dessas mulheres, mas ao mesmo tempo se questiona se essa luta foi suficiente para mudar a realidade das mulheres negras no Brasil. Em “Ponciá Vicêncio”, a narradora descreve a trajetória de uma mulher negra que busca reconstruir sua identidade e sua história em um contexto de exclusão e apagamento cultural.

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Conclusão

O conflito vivido pela narradora em Olhos d’Água é multifacetado e complexo, refletindo as múltiplas dimensões da opressão que as mulheres negras enfrentam em nosso país. A narradora luta contra a sociedade que a desvaloriza e a invisibiliza, contra a autoimagem negativa que foi construída ao longo de sua vida e contra o legado da escravidão e do racismo. No entanto, ela não se deixa abater por esses conflitos, mostrando toda a sua força e resiliência ao enfrentar as adversidades da vida.

FAQs

1. Qual é a importância de Olhos d’Água?

Olhos d’Água é uma obra importante porque dá voz às mulheres negras e periféricas do Brasil, mostrando sua humanidade e complexidade em um contexto de exclusão e invisibilidade social. A obra também é relevante porque aborda temas como racismo, pobreza, violência doméstica e discriminação de gênero, que são fundamentais para a compreensão da realidade brasileira.

2. Como Olhos d’Água se relaciona com o feminismo negro?

Olhos d’Água é uma obra fundamental para o feminismo negro porque mostra a realidade das mulheres negras em um contexto de opressão e exclusão social. A obra dá voz às mulheres negras, mostrando sua resistência e luta em um contexto de violência e discriminação. Além disso, Olhos d’Água aborda temas como racismo, machismo e violência, que são fundamentais para a compreensão da realidade das mulheres negras no Brasil.

3. Qual é a mensagem central de Olhos d’Água?

A mensagem central de Olhos d’Água é a importância da resistência e da luta das mulheres negras em um contexto de exclusão e violência. A obra mostra que, apesar de todas as dificuldades, as mulheres negras são fortes e resilientes, capazes de enfrentar as adversidades da vida e construir um futuro melhor para si e para suas comunidades. A obra também é uma denúncia da opressão e da injustiça social que as mulheres negras enfrentam em nosso país, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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Reza Herlambang

Eu sou um escritor profissional na área de educação há mais de 5 anos, escrevendo artigos sobre educação e ensino para crianças na escola.

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