A Quem O Eu Lírico Se Dirige?

Reza April 18, 2021
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O termo “eu lírico” é comumente utilizado na literatura para se referir ao personagem que narra a história ou os sentimentos expressos em uma obra. Essa figura pode ser um alter ego do próprio autor ou um personagem fictício criado por ele.

Quando nos referimos a quem o eu lírico se dirige, estamos falando sobre o receptor da mensagem que é transmitida na obra literária. Essa mensagem pode ser direcionada a diferentes destinatários, como:

1. Ao leitor

Em muitos casos, o eu lírico se dirige diretamente ao leitor da obra, como se estivesse conversando com ele. Nesse tipo de abordagem, é comum o uso de pronomes de segunda pessoa do singular, como “você” e “tu”, que estabelecem uma relação mais próxima e íntima entre o narrador e o leitor.

Um exemplo clássico de obra em que o eu lírico se dirige ao leitor é “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. No início do livro, o narrador-personagem Brás Cubas faz uma espécie de “dedicatória” ao leitor, pedindo-lhe que se sente confortavelmente para ler a sua história:

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.

São Paulo, 15 de novembro de 1880.

Brás Cubas.

Outro exemplo é o poema “Eu, Etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade, em que o eu lírico se dirige ao leitor de uma forma crítica e irônica, questionando a superficialidade das relações sociais:

Eu etiqueta, tu etiqueta, ele etiqueta, e nós etiquetamos, vós etiquetais, eles etiquetam.

E, desgraçadamente, elas etiquetam.

2. A um interlocutor específico

Em alguns casos, o eu lírico se dirige a um interlocutor específico dentro da narrativa, como outro personagem da história ou uma entidade sobrenatural. Nesses casos, é comum o uso de pronomes de segunda pessoa do singular, como “tu” e “você”, ou de segunda pessoa do plural, como “vós” e “vocês”.

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Um exemplo é o poema “A um passarinho”, de Manuel Bandeira, em que o eu lírico se dirige diretamente a um pássaro que está preso em uma gaiola:

Pobre passarinho! Preso na gaiola A cantar de dor.

Que te importa, amigo, Se te ouvem ou não?

3. A si mesmo

Por fim, há casos em que o eu lírico se dirige a si mesmo, como forma de expressar seus sentimentos, pensamentos e inquietações. É comum nesses casos o uso de pronomes de primeira pessoa do singular, como “eu” e “mim”.

Um exemplo é o poema “Só”, de Fernando Pessoa, em que o eu lírico fala sobre a sua solidão e a sensação de estar desconectado do mundo ao seu redor:

Só, no silêncio austero da minha dor, Sem uma queixa, sem um gesto, enfim, Sem uma lágrima sequer, sem cor, Sem luz, sem voz, sem fim…

Conclusão

Em resumo, o eu lírico pode se dirigir a diferentes destinatários, como o leitor, um interlocutor específico ou a si mesmo. Essa escolha depende da intenção do autor e do efeito que ele pretende causar no leitor. Em todos os casos, porém, o eu lírico é responsável por transmitir as emoções e os pensamentos que permeiam a obra literária, tornando-a mais rica e complexa.

FAQs

1. O eu lírico é sempre um personagem fictício?

Não necessariamente. Embora o eu lírico possa ser um personagem fictício criado pelo autor, ele também pode ser um alter ego do próprio escritor, ou seja, uma representação dele mesmo na obra literária. Nesse caso, o eu lírico pode ser considerado uma figura autobiográfica.

2. O uso de pronomes de segunda pessoa é obrigatório quando o eu lírico se dirige ao leitor?

Não necessariamente. Embora seja comum o uso de pronomes de segunda pessoa do singular ou do plural quando o eu lírico se dirige ao leitor, isso não é uma regra absoluta. Alguns autores podem optar por outras formas de abordagem, como o uso de pronomes de primeira pessoa do plural ou até mesmo de terceira pessoa.

3. O eu lírico sempre expressa os sentimentos do autor?

Nem sempre. Embora o eu lírico possa ser um alter ego do autor, ele também pode ser um personagem fictício que expressa sentimentos e emoções diferentes dos do escritor. Além disso, o eu lírico pode ser utilizado de forma mais objetiva, sem expressar diretamente os sentimentos do autor, mas sim narrando uma história ou descrevendo uma cena.

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Reza Herlambang

Eu sou um escritor profissional na área de educação há mais de 5 anos, escrevendo artigos sobre educação e ensino para crianças na escola.

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